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Causo
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O
peão que começa a vencer....
Silvia
Coelho Mattos |
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A bota de cano alto,
suja de terra...o chapéu amassado que só ele sabe fazer,
ajeitando pela fumaça que sai da chaleira...camisa de
manga , a mochila nas costas, o peão que já tinha subido
e caído de touros em muitos rodeios, mudava sua
rota...cansado de tanto esperar por uma oportunidade nas
redondezas de casa, a oportunidade de realizar seu sonho
cuidando de terra, de gado, semeando e colhendo
esperança, sucesso e felicidade.
Um curriculo bom, 27
anos, demorou mas alguém especial o convidou para
trabalhar. Mas tudo isto tinha um preço muito alto:
muitos quilometros de distância...três dias de ônibus e
muitas horas de pó na estrada batida... |
Cenários e
vegetação que iam se modificando e aquela sensação de
paz interior e prazer foi tomando conta deste coração de
peão em busca de sua conquista, sempre o trabalho...
Mil pensamentos passavam por sua cabeça: ali, o peão se sentiu importante
: ia ter casa, salário, trabalho que gosta de fazer mas
sua família e todos os programas de jovem, ficaram prá
trás. Agora era suar a camisa, e se orgulhar da primeira
conquista.
Num era fácil...olhar todo dia mato por todos os lados...a natureza , a
madeira, a grandeza da fazenda e nasce dia, morre dia,
só trabalho...As mãos cansadas, o corpo suado no final
do dia, mas a graça de estar empregado e fazendo o que
gosta...e ele olha para todas as estrelas do céu e em
cada uma vê a imagem de alguém...a saudade no peito bate
forte mas não é agora que vai amolecer... levanta, bate
as botas na quina do degrau e feliz, com o coração leve,
lembra de todas as orientações de vida que
recebeu...lembra das orações que o acalma e é assim que
se banha, que se deita e que sonha com o novo dia de
trabalho.
Pensa em todos que ama mas que nesse momento estão tão próximo torcendo
por ele.
Fecha os olhos, pede a benção dos seus pais, tão longe , agradece as
bençãos de Deus e dorme!
Até amanhã ! |
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